vazio
Vazio...ando vazio de mim...
perdido de meus afetos,
meus sentimentos,
minhas ideias...
Caminho,
atravesso dias e noites...
Atravesso!
Meu espirito evadiu-se...
restou a carcaça...
Grande.
Miúda.
Sacolejante.
Rígida.
Que vaga ritualisticamente.
Come, dorme - qdo dorme...
Bebe, come - qdo come...
Relaciona-se, vez ou outra...
A comedia do viver.
Eis-me aqui! Perseu.
Cão, rato, miragem, promessa...
Espectro!
E tão vazio de mim...
Nem nos odores das calçadas,
me encontro mais.
Nem no silencio...
Nem na ausencia do ladrido...
Ou do uivo ancestral.
Talvez porque tenha me perdido
de minha furia,
de minha sombra,
da selvageria...
seja menos eu.
Talvez só exista
e tenha sentido,
qdo açoitado pela dor,
aguilhoado pela ira santa,
divina,
ancestral.
Talvez, apenas nela repouse
minha existencia...
O fogo serpentino.
Uma vez hibernado,
o magma incandescente,
nada reste de mim.
Apenas o vazio...
uma massa inerte,
que cumpre o ritual diário...
Bonzinho, simpático,
menos...
ou mais que previsível...
Apenas um cão.
Perseu 05:45hs
Comentários
Postar um comentário